Por Castilho de Andrade
Os segredos não revelados nos testes de inverno, as surpresas preparadas pelas grandes equipes e as dúvidas que rondam as equipes estreantes começaram a ser reveladas no final de semana em Bahrein, no Golfo Pérsico. A abertura do Mundial de Fórmula 1 de 2010 é aguardada com muita expectativa em todo o mundo do automobilismo esportivo. As novas relações de força da categoria serão, finalmente, conhecidas. Mas quem ficar para trás ainda terá tempo de reagir nas 18 corridas restantes.
Os últimos detalhes para o Mundial só foram decididos em fevereiro. A Campos transformou-se em Hispania Racing Team e garantiu a presença de Bruno Senna na temporada. A USF1 e a Stefan estão fora. A FIA preferiu não correr riscos e fixou o grid em 24 carros. Em 2011 serão 26.
Para acompanhar a corrida de estréia – domingo, 14 de março, 9h (de Brasília) com transmissão exclusiva para o Brasil pela Rede Globo de Televisão - é preciso ficar atento a alguns aspectos fundamentais que deverão reger a disputa pelos títulos de pilotos e construtores. A saber:
1º - A nova pontuação. Ao atribuir 25 pontos para o vencedor e 18 para o segundo colocado, a FIA optou por valorizar a vitória e incentivar a disputa pelo primeiro lugar. ‘Correr com o regulamento’ apenas para somar pontos poderá ser prejudicial dependendo da circunstância.
2º - O fim do reabastecimento. Os carros largarão com o tanque cheio – entre 235 e 250 litros, dependendo do traçado – e terminarão quase vazios. Os pilotos terão que conduzir o carro, portanto, com pesos bem diferentes ao longo de uma corrida. E as paradas no Box para troca de pneus serão mais rápidas. Sem erros ou problemas técnicos não passarão de três ou quatro segundos.
3º - A Q3, última sessão de treinos, será desenvolvida com velocidade máxima. Esta será a grande atração do treino oficial no sábado, a partir das 8h (de Brasília). Os carros utilizarão apenas a quantidade de combustível necessária para garantir a volta mais rápida. Convém lembrar que os dez primeiros colocados terão que utilizar o mesmo jogo de pneus na largada da corrida.
4º - Difusores duplos e calotas estão vetados e as equipes acordaram em não utilizar o kers em 2010. Mas ele poderá voltar em 2011. Os novos tanques de combustível exigiram mudanças aerodinâmicas e a distância entre os eixos aumentou em 15 cm.
5º - Das 12 equipes que alinharão em Bahrein apenas a Hispania não disputou os testes de inverno. Dessa forma é preciso uma certa condescendência com os estreantes Bruno Senna e o indiano Karun Chandhok, pelo menos nas primeiras corridas do ano.
6º - Embora tenha um currículo maior do que todos os pilotos do grid – sete títulos mundiais contra quatro na soma dos demais (Fernando Alonso, Jenson Button e Lewis Hamilton), 91 vitórias contra 70 dos concorrentes (Alonso, Massa, Barrichello, Hamilton, Vettel, Webber, Button, Kubica, Trulli, Kovalainen), Michael Schumacher, 41 anos, não deve ser subestimado se não conseguir acompanhar o ritmo das Ferrari e McLaren e mesmo as Red Bull nas primeiras corridas. Ele quer tempo para organizar a Mercedes e desenvolver o carro. E recuperar a forma depois de três anos parado.
7º - Os russos estão chegando. Além de fechar com o piloto Vitaly Petrov, a Renault também iniciará parceria com a Lada, tradicional fábrica de veículos dos tempos da URSS.
8º - Brasileiros. Os torcedores poderão se dividir entre quatro representantes no campeonato: Lucas Di Grassi (Virgin), Bruno Senna (Hispania), Felipe Massa (Ferrari) e Rubinho Barrichello (Williams). E é claro que Barrichello e Massa não recusarão qualquer pedido de ajuda dos estreantes.
9º - GP Brasil de Fórmula 1. Até os dias 5 a 7 de novembro, em Interlagos, é absolutamente seguro que todos os estreantes – pilotos e equipes – estarão mais competitivos e a disputa pelo título exigindo muitos dos favoritos.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1