Por Castilho de Andrade
Antes do que se previa, os contornos da Fórmula 1 na próxima temporada estão ficando mais claros. A categoria dará um salto em relação a 2009 com direito até a deixar um campeão mundial de fora, Kimi Räikkönen. Depois da confirmação dos pilotos da McLaren – os campeões Lewis Hamilton e Jenson Button – fica no ar a dúvida sobre a melhor dupla para 2010.
Os finlandeses estão em baixa, no momento. Nem Kimi nem Heikki Kovalainen têm emprego por enquanto. Räikkönen já disse que não pretende correr em 2010 deixando aberta a possibilidade de voltar em 2011. Kovalainen ainda não perdeu as esperanças, contando com um convite de uma das quatro novas equipes que deverão estrear na próxima temporada.
Com dois pilotos ingleses, Hamilton e Button, e se despedindo do controle da Mercedes, a McLaren se credenciou para formar a melhor dupla. Em termos de currículo, pelo menos, ela está na frente das demais. Mas há ainda quem continue avalizando a nova formação da Ferrari com o bicampeão Fernando Alonso e Felipe Massa como a mais ‘quente’. Em ambos os casos, os respectivos diretores esportivos terão que administrar a disputa interna para evitar o desgaste como ocorreu com a própria McLaren em 2007. A competição entre os pilotos de uma mesma equipe é boa desde que dentro de determinados limites. Por isso, durante muitos anos, a Fórmula 1 teve sempre clara a condição de 1º e 2º pilotos em quase todas as escuderias. Em 1973, Colin Chapman rompeu a tradição e escalou Émerson Fittipaldi e Ronnie Peterson. A Tyrrell aproveitou a divisão de forças entre os dois pilotos e deu o terceiro título a Jackie Stewart, impedindo o bicampeão de Émerson, que terminou a temporada como vice. Já um bom exemplo atual é o da Red Bull que não permitiu que a rivalidade entre Sebastian Vettel, vice-campeão este ano, e Mark Webber prejudicasse os planos da equipe. E os dois foram mantidos para 2010.
As novas equipes estão se mexendo. A Campos fechou com Bruno Senna e pode ficar com o venezuelano Pastor Maldonado, graças a uma irrecusável proposta da estatal venezuelana de petróleo. A Manor contará com Timo Glock. A USF1 e a nova Lotus fazem mistério mas devem anunciar seus pilotos em pouco tempo. Jacques Villeneuve seria um deles.
A chance também é boa para aumentar para cinco número de brasileiros no grid. Três estão garantidos: Felipe Massa, Rubinho Barrichello (na Williams ao lado do alemão Nico Hulkenberg, campeão da GP2 em 2009) e Bruno Senna. Ainda buscam uma chance Lucas Di Grassi (Renault ou Manor) e Nelsinho Piquet (USF1, Manor ou Force India).
Depois desta fase de definições virão os testes de inverno. Então começaremos a saber quem sairá na frente, as primeiras surpresas e as primeiras decepções.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1