Por Castilho de Andrade
Felipe Massa recupera-se bem do acidente que sofreu no treino de sábado, no Hungaroring. Mas a violência da pancada que sofreu no capacete impede, por enquanto, um prognóstico seguro sobre sua volta às pistas. Tudo dependerá da evolução do quadro clínico que, até agora, continua bem. Os pilotos de testes Luca Badoer e Marc Gené são as primeiras opções para o lugar de Massa no GP da Europa, dentro de três semanas, em Valência.
Não fosse a extraordinária tecnologia de segurança dos capacetes e da forma pela qual a cabeça do piloto fica imobilizada no carro, as conseqüências do acidente de Massa poderiam ter sido bem mais graves. Ele estava a cerca de 200 km por hora quando foi atingido por um componente do amortecedor da Brawn de Rubinho Barrichello que pesa aproximadamente um quilo. O impacto foi violento e fez com que o piloto perdesse os sentidos até o choque contra barreira de proteção. A barreira, com três filas de pneus, cumpriu seu papel. E Massa que manteve o tempo todo as mãos no volante não sofreu nenhuma contusão nos braços.
Nelsinho Piquet não faz mais questão de medir as palavras quando reclama da equipe Renault. E, seu pai, Nelson Piquet, que tem acompanhado todas as etapas do Mundial, já confidenciou que a permanência de Nelsinho na escuderia é remota. A Toro Rosso poderia ser o seu destino na próxima temporada. Por enquanto continua persistindo a dúvida sobre a presença de Nelsinho na corrida seguinte. O que, do ponto de vista pedagógico, é péssimo para o piloto. Na Renault, Nelsinho Piquet não conta com um carro com as mesmas características do que é oferecido a Fernando Alonso.
Rubinho Barrichello, ao que tudo indica, cumpriu na Hungria o papel de ajudar Jenson Button – que, diga-se de passagem, sempre foi muito ético e correto na parceria – a somar pontos no campeonato. O futuro da Brawn, ainda sem um bom patrocinador, é incerto. E consta que Rubens Barrichello já estaria conversando com outras equipes. Entre elas a USF1 e a Renault para 2010.
Na Hungria, Button só fez dois pontos mas Webber só conseguiu reduzir a vantagem em relação ao líder do Mundial em quatro pontos. Faltando sete provas para o fim do Mundial de Pilotos e Construtores da Fórmula 1, o inglês Button leva 18,5 pontos de vantagem sobre Mark Webber e 23 pontos sobre Sebastian Vettel. Como a Red Bull ainda não parece em condições de definir qual dos dois terá o privilégio de tentar o título, Button ainda pode aproveitar dessa disputa. Rubinho Barrichello, a 26 pontos de Button, já não estaria mais sonhando com a luta pelo campeonato.
A vitória de Lewis Hamilton foi boa para Button já que o campeão mundial não está na disputa pelo título deste ano. Com a indisfarçável queda de qualidade da Brawn em relação à Red Bull e, agora, também em relação à Ferrari e McLaren, Button conta mais com a ‘administração’ da vantagem que possui e aposta na disputa entre as três equipes para manter-se na frente. Mas, sem dúvida, corre sério risco de ser ultrapassado na reta final do campeonato.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.