Por Castilho de Andrade
O piloto inglês Jenson Button vai passar duas semanas sob muita tensão. A próxima etapa do Mundial de Fórmula 1 será na Inglaterra. O momento não pode ser melhor para uma consagração definitiva do favorito ao título de 2009. Button foi, praticamente, ignorado pelos ingleses nos dois últimos anos quando o país viveu a febre da Hamiltomania. Agora, com seis vitórias em sete corridas, sete pódios consecutivos e a liderança insofismável do campeonato, Jenson vai desfilar seu orgulho em Silverstone e, depois, terminar ouvindo outra vez o ‘God Save the Queen’ no alto do pódio. Só que esta é uma ótima oportunidade para o imprevisível que cerca a categoria.
Silverstone tem características muito parecidas com Istambul o que aumentaria as chances de Button. Na Turquia, ele saiu em segundo lugar para tomar logo a ponta, aproveitando-se de uma vacilada imperdoável de Sebastian Vettel. E nunca mais foi ameaçado. Rubinho Barrichello, por exemplo, foi vítima do imprevisível. Fez um bom treino no sábado, mesmo com problemas no assoalho de seu carro. Largou da segunda fila e poderia, no mínimo, ter cruzado a linha também em segundo lugar. Ficou na largada. Depois envolveu-se em um toque com Heikki Kovalainen e despediu-se mais cedo da corrida. Foi a primeira vez no ano que a surpreendente Brawn GP não colocou seus dois pilotos na zona de pontos.
Ao contrário do que parecia a partir dos treinos livres de sexta, nem Ferrari nem McLaren tiveram um domingo, pelo menos, razoável. A Red Bull, ao contrário, comprovou seu favoritismo. Tivesse a equipe optado por uma estratégia menos confusa e Vettel não tivesse errado no início da prova, o alemão – ou, talvez, Mark Webber – poderia ter chegado à vitória.
Na prática, o resultado de Istambul reiterou o favoritismo da Brawn no Mundial de Construtores (39, 5 pontos de vantagem em relação à equipe Red Bull) e no Mundial de Pilotos (Button tem 26 pontos sobre Barrichello e 32 sobre Vettel). Como, portanto, o vice-líder é da mesma equipe, a situação de Ross Brawn não poderia ser mais confortável. Rubinho Barrichello, pelo menos, pode contar então com uma suposta imparcialidade da equipe em relação a Button ou a ele. Para a Brawn, o importante é ficar com os dois títulos. Mas se o de pilotos for para Button ou Barrichello não muda nada.
É claro que, até agora, a situação é amplamente favorável a Button. Ele ficou na frente de Rubinho em todas as corridas já disputadas. Mas dez corridas são dez corridas e é isso que eles terão que enfrentar ainda. É difícil mudar o quadro atual? É. É impossível uma reviravolta? Não.
Enquanto o campeonato prossegue, a temporada de 2010 vai ganhando forma. As corridas não terão mais o reabastecimento e isso evitará estratégias previsíveis; o Kers pode ser banido; Fernando Alonso tem chances de correr pela Ferrari: interessa aos dois lados; novas equipes como a USGP, ProDrive e Lola trabalham para alinhar seus carros, aumentando o grid para 26 carros. Outras novidades virão nos próximos meses.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.