Por Castilho de Andrade
Que o alemão Sebastian Vettel é um talento ninguém duvida. Mas apostar que o piloto seria capaz de conduzir sua Red Bull/Renault à vitória na China é outra coisa. A Red Bull ainda não está equipada com os difusores e nem utiliza o sistema kers para ganhar mais potência. De forma que só mesmo um piloto muito bom poderia compensar a deficiência do carro. E foi exatamente o que aconteceu na pista molhada em Xangai.
O trabalho de Vettel e da Red Bull foi tão equilibrado que assegurou também o segundo lugar para o australiano Mark Webber. E a equipe austríaca já ultrapassou a Toyota e, agora, é a segunda do Mundial de Construtores, atrás da Brawn.
Nada é definitivo na Fórmula 1. Quem previu – como Flavio Briatore – que a Brawn venceria ‘todas’ as corridas da temporada, após a confirmação da legalidade dos difusores queimou a língua menos de uma semana depois. E, por ironia, Briatore assistiu à vitória de um carro impulsionado por um motor produzido por sua própria escuderia, a Renault. A Brawn continua como favorita ao título de 2009. Mas não vai ser fácil. A Red Bull, uma das que recorreu contra os difusores, já está preparando um novo projeto aerodinâmico para correr na Espanha. A McLaren já começou a reagir. Resta saber o que a Ferrari fará agora. Nas últimas 18 temporadas, este é o pior começo de campeonato da Casa de Maranello. Cabeças poderão rolar. Alguma coisa vai mudar, sem dúvida, até a corrida de Barcelona. O desempenho de Felipe Massa no começo da prova quando chegou ao terceiro lugar não foi suficiente para aplacar a ira dos críticos italianos que fazem previsões catastróficas para 2009.
No papel, o trabalho do competente Adrian Newey, projetista da Red Bull, para adaptar os difusores será dos mais difíceis. Os carros da equipe têm uma traseira baixa e a aplicação dos difusores deverá implicar em outras alterações. Já na Ferrari parece ser mais simples. Mas os resultados em ambos os casos é imprevisível. Um carro pode melhorar de comportamento; o outro pode piorar. O problema é que já não há mais tempo hábil para um desenvolvimento satisfatório. Além de o campeonato já ter começado, o regulamento esportivo prevê uma série de restrições a testes e ao uso do túnel de vento, após iniciada a temporada.
Embora permaneça com seus dois pilotos nas duas primeiras posições da classificação do campeonato, a Brawn não está conseguindo ampliar significativamente sua vantagem depois de três corridas disputadas. O GP de Bahrein, no próximo domingo, será provavelmente a última chance de aumentar o número de pontos sobre as demais equipes. A partir da Espanha, dia 10 de maio, todos os carros, praticamente, já deverão contar com os difusores. Aí então tudo dependerá da rapidez e da habilidade de seus projetistas.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.