A Fórmula 1 2009 nas mãos da FIA

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Por Castilho de Andrade

Quem viu o GP da Austrália, primeira prova do Mundial de Fórmula 1 deste ano, não teve do que reclamar. Ganhou uma equipe estreante – o que não acontecia desde 1954 (!); assistiu a ultrapassagens perigosas, seguiu uma disputa ousada entre Vettel e Kubica e terminou com a sensação de que as coisas mudaram muito desde o GP do Brasil do ano passado. Na Malásia, domingo, a dose poderá ser repetida. Depois será preciso aguardar a decisão final do Tribunal de Apelações, dia 14 de abril, sobre a legalidade ou não dos difusores utilizados pela Brawn GP, Toyota e Williams.

Há alguns detalhes importantes que devem ser observados neste começo de temporada. Max Mosley e a FIA querem mesmo uma Fórmula 1 mais empolgante, mais barata e com chances para todos e não apenas para duas equipes. A corrida da Austrália ofereceu essa condição. Mosley também quer que a categoria continue seu histórico de desenvolvimento de componentes e recursos que possam, mais tarde, serem incorporados à indústria automobilística. O campeão Lewis Hamilton foi o primeiro a elogiar o kers que garante mais cavalos ao motor, aproveitando-se da energia cinética dos carros ao longo da corrida. E Mosley, finalmente, quer mais espaço para a criatividade. Nesse caso quem poderia contestar os difusores criados por Ross Brawn, capazes de provocar tamanha reviravolta na Fórmula 1?

Bem, para os tradicionalistas um alerta: quem imaginar que uma eventual proibição dos difusores poderá relegar a Brawn para as últimas posições do grid deve colocar as barbas de molho. Em Melbourne, Rubinho Barrichello foi o 2º e, praticamente, não pôde utilizar o recurso aerodinâmico que foi afetado seriamente depois de uma batida por trás da McLaren de Kovalainen. Isso significa que a Brawn tem um carro forte e competitivo, além dos difusores.

A decisão do Tribunal de Apelações marcará o resto da temporada. O resultado do julgamento ainda é imprevisível mas as primeiras pistas do que poderá ocorrer já começaram a aparecer. A Renault, por exemplo, uma das equipes que contesta a legalidade do recurso, já admite a possibilidade de utilizar um difusor no GP da China, corrida seguinte à reunião do Tribunal. E as demais escuderias não terão outro caminho senão o de modificar seus carros mas sem o tempo necessário para testá-los convenientemente. Esta é a vantagem das equipes que saíram na frente.

A grande derrotada em Melbourne foi a Ferrari que viu seus carros ficarem no caminho. Massa com uma manga de eixo quebrada e Räikkönen em uma estranha e inexplicável batida no muro. A McLaren. por sua vez, acabou se envolvendo em uma confusão com os comissários esportivos que provocou a desclassificação de Lewis Hamilton. Dessa forma, as duas grandes equipes de 2008 ficaram devendo. E muito. Na Malásia, entretanto, a história poderá mudar. Ferrari e McLaren disseram que têm munição para reagir à altura. Será?

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.